Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008

O signo linguístico

 

             A Língua é um sistema, de sinais, ou de símbolos que serve de meio de comunicação. Por símbolo entendemos aquilo que por convenção, se substitui, a qualquer coisa, aquilo que está no lugar de outra coisa. A esses sinais, ou símbolos, é costume dar a designação de signos. Logo, a língua ou linguagem é um sistema de signos.

 

            “Signo linguístico” é segundo Saussure[1] (1857- 1913), o produto de uma associação da mente humana, entre um conceito, ou ideia, e, uma imagem acústica. Cada objecto (ou série de objectos) está representado, na linguagem, por determinadas palavras; no entanto entre o objecto e o conjunto de sons que constitui a palavra, está o espírito[2] de quem fala: é na mente do falante que se opera a associação psíquica do conceito com a imagem acústica. Assim o signo linguístico é o elemento que existe no nosso espírito para designar qualquer coisa.

             O nome não está directamente ligado à coisa que enuncia, mas representa-a através do conceito que dessa coisa se forma na nossa mente. Para Saussure, o significado é o conceito, a ideia e o significante é a imagem acústica.

                A nota dominante do signo linguístico, na opinião de Saussure, é a sua arbitrariedade (ou imotivação). Assim para este autor, não há motivo algum para que seja um certo signo acústico, e não outro qualquer, o que designa uma certa coisa; não há motivo para estabelecer-se uma relação evidente entre o significado e o significante. Pelo contrário: essa associação seria puramente convencional. O que parece certo. Embora a expressão “convencionalidade do signo linguístico”, proposta por outros linguistas seja talvez mais correcta e rigorosa que a palavra arbitrariedade (no sentido de aleatório, ou não sujeito a regras.), pois indica uma relação motivada pela necessidade, uma convenção portanto. É ainda lícito questionar se essa arbitrariedade de que fala Saussure, na realidade essa ausência de nexo, entre significante e significado, entre ideia, e imagem acústica que hoje dificilmente se encontra não terá existido em estádios mais antigos da linguagem, de que a situação específica das onomatopeias seria exemplo, embora realçando que mesmo nestes casos, estas diferem de língua para língua[3], revelando, talvez, o seu carácter essencialmente convencional.



[1] SAUSSURE,  Ferdinand, “Curso de linguística geral”,  Editorial D. Quixote, Lisboa.

[2] Entenda-se aqui, espírito como movimento da inteligência. N.A.

[3] Vejam-se as onomatopeias da banda desenhada: o riso espanhol, ou o ladrar de um cão inglês que na língua portuguesa, traduzem-se respectivamente por HÁ, há, ou Ão, ão…

 

publicado por soloquente às 21:10
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9 comentários:
De nilton moraes a 18 de Janeiro de 2010 às 12:58
itapeba


De maria lidiana-PIP a 2 de Abril de 2010 às 18:55
foi descrito por Ferdinand Saussure, em seu Curso de Linguística Geral, como uma combinação de um conceito com uma imagem sonora. Uma imagem sonora é algo mental, visto que é possível a uma pessoa falar consigo própria sem mover os lábios. Mas em geral, as imagens sonoras são usadas para produzir uma elocução.


De soloquente a 2 de Abril de 2010 às 21:01
E daí? Uma imagem acústica é uma imagem sonora. Se calhar é mesma coisa! AQUILO A QUE FAÇO REFERÊNCIA, ESTÁ EXPLÍCITO, na nota de rodapé. Acho que o sentido do pensamento de Ferdinand Saussure foi respeitado no texto do post. Não percebi o comentário.


De Renata de Melo Sousa a 7 de Abril de 2010 às 12:47
Signo Linguistico não se resume apenas a um conjunto de sinais ou simbolos segundo o próprio texto,sendo que podemos nos comunicar com as outras pessoas das mais variadas formas,seja através de palavras,gestos ou até mesmo de um olhar.


De soloquente a 7 de Abril de 2010 às 14:40
Na verdade este pequeno texto, construído com base no pensamento de Saussure , sobre a língua e a linguagem, serviu de apoio às aulas de teoria do design leccionadas na Escola Secundária Artística António Arroio. Não está completo nem seria essa a sua função. Pretendia ser um complemento teórico das aulas, nas quais se referiam precisamente aspectos do signo que aborda no seu comentário, pois discutiam-se nestas aulas, outros autores, assim como outras obras e ainda aspectos da linguagem artística: do desenho, do cinema, ou da dança, por exemplo. Sendo assim encarados, os gestos, o movimento e as formas, inclusivamente os objectos, enquanto signos... etc. Agradeço a sua observação e a oportunidade de esclarecer esta questão, tão interessante.
F. Caldas


De Renata de Melo Sousa PIP a 7 de Abril de 2010 às 12:49
Signo Linguistico não se resume apenas a um conjunto de sinais ou simbolos segundo o próprio texto,sendo que podemos nos comunicar com as outras pessoas das mais variadas formas,seja através de palavras,gestos ou até mesmo de um olhar.


De edilson weslley a 9 de Abril de 2010 às 14:17
os sígnos são um lado linguagem que estuda a lingua e suas caracteristicas de modo que explicar a linguagem não-verbal.


De jogo futebol a 24 de Agosto de 2011 às 13:35
Parece que avinhaste o meu pensamento, era mesmo isto que estava a precisar para agora. Muito Obrigado x)


De sebastião batista dos santos a 25 de Abril de 2012 às 04:03
A língua não se reume apenas no falar ela é bem mais complexa envolve a capacidade o individuo de compreender o que está sendo falado ou escrito saber refletir a cerca do mesmo, repassar um conteúdo, formular uma nova frase a partir de uma fala.


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